32 MILHÕES DE BRASILEIROS NÃO VOTARAM “O QUE ISSO SIGNIFICA?”
AS ULTIMAS ELEIÇÕES NO BRASIL: No segundo turno, mais de 20% dos eleitores aptos não compareceram às urnas; Número muito superior à diferença entre Lula e Bolsonaro.
As eleições presidenciais de 2022 terminaram com uma das disputas mais acirradas da história recente do Brasil. Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente com 60.345.999 votos, contra 58.206.354 de Jair Bolsonaro. A diferença entre os dois candidatos foi de 2.139.645 votos. Mas existe outro número que chama a atenção: 32.200.558 eleitores não compareceram às urnas no segundo turno. Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estavam aptos a votar 156.454.011 eleitores. Destes, 124.252.796 compareceram, correspondendo a 79,41% do eleitorado. A abstenção chegou a 20,59%. Ou seja: aproximadamente um em cada cinco eleitores aptos não participou presencialmente da votação. ESTE É UM NÚMERO MUITO MAIOR QUE A DIFERENÇA ENTRE OS CANDIDATOS e a comparação chama atenção.
No segundo turno: Lula: 60.345.999 votos Bolsonaro: 58.206.354 votos e a Diferença: 2.139.645 votos já as Abstençõessomaram: 32.200.558 eleitores. O contingente de pessoas que não compareceu às urnas foi aproximadamente 15 vezes maior que a diferença de votos que separou os dois candidatos. Mas esse dado precisa ser interpretado com responsabilidade. Não é possível afirmar que os 32,2 milhões de abstencionistas seriam eleitores de Lula, ou de Bolsonaro ou de qualquer outra posição política. A abstenção não revela a intenção de voto de quem não compareceu. O número mostra, entretanto, o tamanho do eleitorado que não participou efetivamente da escolha presidencial naquele turno. MAS QUEM NÃO VOTOU?
É justamente neste ponto que a análise por faixa etária ganha importância. O TSE disponibiliza estatísticas eleitorais que permitem estudar o perfil do eleitorado brasileiro por características como idade, gênero, escolaridade e outros critérios. A idade, porém, precisa ser analisada com cuidado. Entre os eleitores mais jovens, especialmente nas faixas de 16 e 17 anos, o voto é facultativo. O mesmo ocorre para pessoas com 70 anos ou mais. Isso significa que uma taxa elevada de ausência entre esses grupos não pode ser interpretada da mesma maneira que a ausência de um eleitor de faixa etária em que o voto é obrigatório.
OS JOVENS E A PARTICIPAÇÃO ELEITORAL A participação dos jovens é um dos pontos que merecem atenção. Além da quantidade de eleitores jovens, existe uma questão política mais ampla: por que parte dessa população não transforma seu direito de votar em participação efetiva nas urnas? A resposta pode envolver diversos fatores — desinteresse político, descrença nas instituições, dificuldades de deslocamento, questões pessoais, desinformação ou simplesmente a decisão individual de não comparecer. Por isso, os números devem ser apresentados como ponto de partida para uma investigação, e não como explicação definitiva. E OS ELEITORES MAIS VELHOS? A situação é diferente entre os eleitores com 70 anos ou mais. Para esse grupo, o voto é facultativo. Portanto, a ausência não significa necessariamente descumprimento da obrigação eleitoral. Essa distinção é fundamental para evitar uma interpretação equivocada dos dados. Uma taxa de abstenção elevada entre pessoas muito idosas pode estar relacionada, entre outros fatores, à própria facultatividade do voto e às dificuldades naturais de deslocamento e participação presencial. PRIMEIRO E SEGUNDO TURNOS: A abstenção também foi expressiva no primeiro turno. Em 2 de outubro de 2022, dos 156.454.011 eleitores aptos, 123.682.372 compareceram às urnas. A abstenção foi de 32.770.982 eleitores, equivalente a 20,95% do eleitorado. No segundo turno, a quantidade de abstencionistas caiu para 32.200.558 e o percentual ficou em 20,59%. Portanto, mesmo em uma eleição presidencial extremamente polarizada, aproximadamente um quinto do eleitorado apto não compareceu.
BRANCOS E NULOS SÃO OUTRA HISTÓRIA: Também é importante não misturar três situações diferentes: Na Abstenção: o eleitor não compareceu à votação, no Voto branco: o eleitor compareceu, mas optou pelo voto em branco. e no voto nulo: o eleitor compareceu, mas anulou seu voto. No segundo turno de 2022, foram registrados 3.930.765 votos nulos e 1.769.678 votos em branco, além das mais de 32 milhões de abstenções. O TSE esclarece que votos brancos e nulos não são transferidos para o candidato vencedor e não são contabilizados como votos válidos.
A ABSTENÇÃO PODERIA TER MUDADO O RESULTADO? Essa é provavelmente a pergunta que mais desperta curiosidade e matematicamente, o número de abstencionistas foi muito superior à diferença entre Lula e Bolsonaro. Mas existe uma diferença fundamental entre possibilidade matemática e conclusão eleitoral. Não podemos afirmar que a eleição teria outro resultado se todos tivessem votado. Para isso, seria necessário saber em quem cada abstencionista teria votado — informação que simplesmente não existe. Se os 32,2 milhões de eleitores ausentes fossem distribuídos de maneira hipotética entre os candidatos, o resultado poderia assumir diferentes configurações. Por isso, a conclusão correta é outra:
“A abstenção não determinou matematicamente quem venceu a eleição, mas representou um contingente eleitoral muito maior do que a diferença que separou os dois candidatos”.
O QUE OS NÚMEROS REALMENTE MOSTRAM?
Os dados das eleições de 2022 deixam uma questão importante para o debate democrático brasileiro: Como aumentar a participação efetiva do eleitorado? Uma democracia não depende apenas da existência do direito ao voto. Também depende da disposição do cidadão para participar do processo eleitoral. E o fenômeno não é exclusivamente brasileiro. A participação eleitoral e a abstenção são estudadas em diferentes democracias justamente porque o comportamento de quem não comparece às urnas também ajuda a compreender o funcionamento de uma sociedade. No Brasil, entretanto, existe uma particularidade: para grande parte dos cidadãos, o voto é obrigatório. Mesmo assim, conforme já mostrado em 2022, mais de 32 milhões de eleitores não compareceram no segundo turno. UMA ELEIÇÃO DECIDIDA POR 2,1 MILHÕES — E OBSERVADA POR 32,2 MILHÕES QUE NÃO FORAM ÀS URNAS
Os números permitem uma comparação que ajuda a dimensionar o fenômeno: 32.200.558 — abstencionistas no segundo turno e a diferença entre Lula e Bolsonaro foi de apenas 2.139.645 . Sendo o primeiro número é cerca de 15 vezes maior que o segundo. Isso não significa que os abstencionistas teriam escolhido determinado candidato. Significa apenas que existe um enorme contingente de brasileiros que, naquele momento decisivo, não participou da escolha presidencial por meio do voto. E talvez essa seja a pergunta mais importante que os números de 2022 deixam para o Brasil: POR QUE TANTOS ELEITORES NÃO FORAM ÀS URNAS?
Mais do que tentar descobrir para quem essas pessoas votariam, entender por que elas não votaram pode revelar muito sobre o relacionamento entre o cidadão brasileiro, a política e as instituições democráticas.
Garbosa News — Informação além da notícia.


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